
ESIRC
Vem a propósito a designada esirc que em meu entender faz umas décadas, senão bem já mais de meio século que nos acompanha nas agruras do dia a dia, da semana a semana e nos meses a meses, para não escrever aqui nos últimos 50 anos.
Sem dúvida que alguns de vocês ou vocêsas estarão a pensar que esta coisa da ESIRC possa ser mais algum partido ou movimento candidato aos fundos chorudos para entrar na corrida dos fazedores de crises visto que este ano é propicio a tais aventuras.
Nada disso, apeteceu-me mesmo divagar com a crise e chamar-lhe esirc, quem não se lembra dos anos sessenta as dificuldades que o povo português passou pela crise devido á politica desastrosa de nossa veia colonizadora (nossa salvo seja) e que estávamos no auge de uma guerra injusta contra povos livres e independentes, se bem com uma cor diferente, mas sempre com um sangue e suar da cor dos nossos.
Quem não se lembra das crises dos anos setenta quando este humilde povo, em boa hora se lembrou de apanhar o descontentamento das forças armadas e tomar as ruas como sendo nossas e passarmos uma das páginas mais negras da nossa vida que era a ditadura fascista de salazar e caetano antes de 25 de Abril de 1974, esta merda do corrector automático do Office está a tentar escrever salazar e caetano com letra grande, é mesmo estúpido o Office, então não se lembra que os terroristas e fascistas se escrevem sempre com letra pequena.
Entrados nos anos oitenta, novamente a esirc não dava tréguas, se para nossos males já bastavam as políticas de direita dos governos socialistas, ainda tivemos de gramar com algumas aliançazitas com os anti-democratas sociais e os impopulares centristas, parecia que a esirc tinha vindo mesmo para ficar, nossos cintos e eu sinto muito, já não tinham mais furos para apertar, estávamos completamente apertados e esmagados pela ganância do capitalismo, não venham dizer que há capitalismo assim, capitalismo assado, frito ou cozido, todo o capitalismo é-o e não deixa uma miga-lha para que possamos sobreviver com dignidade.
Anos noventa, fim de milénio, chegou-se a pensar que era desta que a esirc se ia embora, tão tolos estávamos, a esirc só acabou mesmo para aqueles que partiram desta para melhor (ou pior, quem sabe) a esperança como é sempre a ultima a morrer, e alguns de nós ainda estávamos vivos, sempre esperamos que com o fim das chamadas ditaduras de leste, era desta que o planeta se iria endireitar e todos os seus habitantes teriam direito a uma vida justa e com dignidade, mais um erro de cálculo, enquanto não banirmos de vez com este tipo de sociedade e com as maiorias absolutas de quem nos governa, jamais teremos direitos de sermos felizes porque ninguém nos quer governar, querem sim é ao abrigo da esirc governarem-se connosco.
Viragem do milénio, ventos de esperança, novamente somos uns palermas uns frouxos e uns ignorantes controlados, houve quem acreditasse que era desta, estúpidos, nunca se esqueçam de enquanto existir alguém a usufruir de nossa produção de riqueza jamais quererão abdicar de ter estes escravos a encher seus bolsos, reparem nas noticias preocupantes, o banco tal, a empresa tal, a organização tal, pobre coitados, estou cheio de pena deles, hoje os milhões de lucros baixaram 10%, 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% 90%, uma pequena pausa, estou a chorar com pena deles, os milhões de lucro baixaram, mas continuam a receber milhões que somos nós que lhes metemos nos bolsos . . .
Será que somos um país de invisuais ?
Será que vamos continuar a aturar estes camelos que jamais nos retirarão da esirc ?
Será que precisamos de voltar novamente a dividir uma sardinha para 6 membros da mesma família e comermos umas batatas cozidas para entender que está na altura de lhes dizer BASTA !
Que grande merda de povo saímos nós afinal . . .





