terça-feira, 10 de novembro de 2009

burros, fardos de palha e o muro de berlim . . .


. . . será que por cada murro derrubado outros 1000 se ergueram ? para quando o fim do massacre capitalista sobre os povos ?

Além de insígnia militar romana e de pequena estola ornamental dos sacerdotes, o manípulo, era também o punhado de forragem que se punha diante do burro, de forma a que o não pudesse alcançar, para que, ao persegui-lo, o animal carregasse ou puxasse a carga que outrem lhe destinara.

Segundo os dicionários, manipular significa "operar com as mãos, trabalhar demasiado alguma coisa, manuseá-la, manejar as coisas a seu modo ou intrometer-se nas coisas alheias" e, por fim, "intervir com meios hábeis ou, por vezes, astuciosos, na política, na sociedade, no mercado, etc., com frequência para servir interesses próprios ou de terceiros".

Desta forma, etimologicamente, manipulação acaba por ser uma intervenção consciente num dado material com um fim determinado. Neste sentido, diz-se que o oleiro manipula a argila ou que o realizador de cinema ou de televisão manipula as imagens filmadas. Aqui, vamos referir-nos à manipulação dos conteúdos de consciência, das mensagens dos meios de comunicação no seu sentido mais lato. Trata-se de uma intervenção com consequências sociais e, portanto, de um acto político.

É certo que toda a utilização dos media pressupõe sempre uma manipulação. Qualquer processo de produção comunicacional, desde a selecção do meio, à gravação, à mistura e montagem, à realização e distribuição é uma intervenção, uma manipulação do material existente. Aquilo que importa, como assinalava Enzensberger em 1969, após os acontecimentos do "Maio" francês e alemão do ano anterior, não é que os meios e as mensagens da indústria da consciência sejam manipulados ou não, mas sim quem os manipula, em proveito de quem e ao serviço de que interesses.

Neste contexto da submissão das consciências e da formação da opinião, vamos entender por manipulação a orientação da comunicação por uma minoria, com o objectivo da dominação de todos os outros. O primeiro passo para sermos donos das nossas vidas e do nosso futuro é o representado pela identificação dos entraves que, interessadamente, outros nos colocam no caminho para levarem a água ao seu moinho. Por isso convém ter claro o conceito de manipulação e os seus objectivos antes de passarmos à descrição das técnicas utilizadas por essas minorias para conseguirem atingir os seus objectivos.

. . . será que o durrube do muro da miséria, baixos salários e do desemprego vai tardar muito, ou teremos «muristas» sempre a ergue-lo ?

(em breve novo capitulo com o mesmo título)