quinta-feira, 22 de maio de 2008

O Pentágono no Iraque,Somália e Myanmar




As actuações terroristas doPentágono no Iraque e na Somália estão cada vez piores. Mais de cinco anos depois de ter aberto um caminho à força num Iraque paralisado e enfraquecido pelas sanções, o exército americano revelou-se incapaz de cobrir as menores necessidades elementares de sobrevivência em água potável, alimentação de base, electricidade, educação e cuidados médicos de urgência.
Se mais de 160 mil soldados americanos, 100 mil mercenários das sociedades privadas e a mais impressionante panóplia militar jamais empregue no planeta não são capazes de fornecer electricidade ou água potável permanentes em Bagdad, será que se pode decentemente esperar que eles façam melhor em Yangon-Myanmar? Servindo-se do pretexto da necessidade de uma missão humanitária numa Somália assolada pela fome, os Estados Unidos forçaram uma resolução da ONU permitindo aos Marines ocuparem a capital do país, Mogadiscio, em Dezembro de 1992. A população, escandalizada, expulsava estes mesmo Marines no ano seguinte.
O Pentágono errou totalmente na avaliação do sentimento anti-imperialista popular, mesmo de uma população tão desamparada e desesperada. No Myanmar, a oposição maciça à dominação britânica, depois americana, representa uma corrente poderosa no seio da população. Toda intervenção poderia enfrentar uma resistência tenaz, apesar dos sofrimentos provocados pelo ciclone.
Em todos os ataques dos media americanos ao governo de Myanmar e sua ditadura, é importante recordar que o Pentágono encorajou, sustentou, armou e financiou ditadura militares sangrentas no mundo inteiro, desde a Arábia Saudita e a Indonésia até o Paquistão, o Chile e o Congo. A hostilidade de Washington em relação à ditadura birmanesa não resulta das medidas repressivas desta última mas do facto de ela não ter desfeito na nacionalização dos recursos naturais do Myanmar, imposto por um sentimento anti-colonial maciço há algumas décadas. E é exactamente isso que as sociedades americanas estão determinadas a alterar.
O movimento anti-guerra e progressista deveria mostrar-se circunspecto quando à campanha dos media reaccionários em torno de Myanmar. As pessoas que lá vivem têm direito a uma ajuda internacional imediata e livre de quaisquer exigências e sanções da parte dos Estados Unidos.

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